quarta-feira, 25 de junho de 2008

A matuta



Sim, é ela. Uma menina. Linda. Afilada e de boca carnuda. A princesa do pai e da mãe. Que vai brincar de matuta no próximo São João. Com pintinhas na bochecha. Vestido todo enfeitado. E vai adorar a piscininha no quintal dos avôs. Brincar na areia da praia. Assistir A Bela e a Fera. Se deliciar com morango e brigadeiro (sem chocolate). Ir para São José. Dançar forró com Cauã. Beijar mamãe. Olhar firme para o pai. Coçar a careca do vovô. E os cachinhos do outro avô. Lidar com o ciúme de todos. A mais linda, mais cobiçada, mais e mais. A minha filha. A filha dele. A nossa filha. O nosso bebê. De olhinhos brilhantes. Que mamãe tanto sonha. Anseia pelo sorriso. Quer arrumar a casa. O quarto. Aguarda-la. Preparar seu trono. A coroa. Forrar o berço. Ligar o abajur. Dobrar suas fraldas. Enfim, viver ao lado dela o Natal mais feliz do mundo. E haja Lost para passar o tempo…e amor para superar todas as dificuldades.


Queria dedicar um parágrafo para as dúvidas. São tantas escolhas. Em pouco tempo é preciso escolher: obstetra, maternidade, pediatra, cor do quarto, decoração, papel de parede (ou não?), lembrançinha de maternidade, babá/empregada ou hotelzinho, carro novo, cadeirinha de carro adequada…é muito trabalho para os próximos cinco meses. Quando na verdade, gostaria de dedicar cada segundo a imagina-la. Fazer o quê? "É preciso saber viver…"

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Namorados


Sabe aquela fase na vida que você duvida encontrar a tampa da panela, a metade da laranja?
Era a minha realidade antes de "reencontrar" o pai de Letícia/Felipe.
De repente, o olhar, as mensagens, o primeiro beijo e tudo mais.
O grude. As brigas. As reconciliações.
O saber amar, sabendo deixar o outro amar.
Enfim, a descoberta do amor.
Das declarações. Do ciúme.
Do medo de perder.
Mas também da certeza, do carinho e do desejo.

Somos unha e carne. Preto no branco.
Respeito mútuo. Confiança.
Mas do que isso: amantes, fiéis, leais.
A panela e a tampa… E já projetamos o futuro.
O próximo dia dos namorados. Com o (a) novo (a) integrante da família.
Carnaval, São João e todas as festividades com a presença de Letícia/Felipe.
É bom fazer planos com quem se ama.
Não importa que o mundo duvide da eternidade do nosso amor.
O importante mesmo é sermos felizes juntos, sempre.
Como ontem, no dia dos namorados.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Mudança

Sabe qual a mudança na vida, com a chegada de um filho? Não são apenas sintomas físicos - cansaço, sono insuprível, fome repentina, mal-humor, etc, etc. A rotina é recheada de detalhes, inseridos pouco a pouco. Reforma na casa, orçamento com marceneiro, janela na área de serviço. Para tudo ficar perfeito. Mesmo sabendo que é impossível. Mas vale a pena antecipar. As conversas giram em torno do novo rebento, de acordo com as experiências de cada um. Da logo uma paranóia, vontade de acertare, ser um neorevolucionário. Um medo de amamentar, parir, criar. Depois vem aquela certeza: "ninguém nasce mãe, torna-se". É até ajuda, mas enquanto as coisas não acontecem tudo é apreensão.

Você estranha os estranhos. Que pegam na sua barriga, invadem sua intimidade. Ou aquela pessoa distante que deixa um recado no Orkut. Aos poucos, a metamorfose acontece. Os dias passam e você compreende que jamais será a mesma. O nome muda. As pessoas lhe identificam de outra forma: mãe, grávida, mãezinha. E não será mais Taciana, mas a "mãe de Letícia ou de Felipe".

E tudo que você programa tem que estar incluído a tal da licença maternidade. Uma palestra em novembro? Depende da data. O Natal das crianças? Não sei como será.

Enfim, se hoje já não sou a mesma, imagine depois do nascimento de Letícia/Felipe...

É melhor relaxar. Respirar. Fazer exercícios. Falar bem muito mesmo,sobre nascimento/maternidade/parto normal-cesáreo. Enquanto isso, faço medidas da nova vida. Sonho bastante. Cada sonho louco. E acordo pensando que estou sozinha. Depois toco na barriga e percebo a melhor companhia. De um pequeno ser.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Antes de tudo...

Antes de ser mãe, eu fazia e comia os alimentos ainda quentes. Eu não tinha roupas manchadas, tinha calmas conversas ao telefone. Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria, Nunca me preocupava com a hora de ir para a cama. Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes

Antes de ser mãe,eu limpava minha casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos e nem pensava em canções de ninar. Antes de ser mãe, eu não me preocupava: Se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas então, eram coisas em que eu não pensava.Antes de ser mãe,ninguém vomitou e nem fez xixi em mim, Nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas. Antes de ser mãe, eu tinha controle sobre a minha mente, Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,e dormia a noite toda.

Antes de ser mãe,eu nunca tive que segurar uma criança chorando, para que médicos pudessem fazer testesou aplicar injeções. Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam. Nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha. Nem fiquei sentada horas e horasolhando um bebê dormindo. Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança, só por não querer afastar meu corpo do dela. Eu nunca senti meu coração se despedaçar, quando não pude estancar uma dor. Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina, pudesse mudar tanto a minha vida e que pudesse amar alguém tanto assim. E não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação, de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. Não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança. E não imaginava que algo tão pequenino, pudesse fazer-me sentir tão importante. Antes de ser mãe, eu nunca me levantei à noite toda, cada 10 minutos, para me certificar de que tudo estava bem. Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor,a dor e a satisfação de ser uma mãe. Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes. Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus, Por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Obrigada meu Deus, por permitir-me ser Mãe!